Archive for March, 2011

March 31, 2011

March 31, 2011

Forts

[Wild things’ forts]

March 29, 2011

Eu sou o pão da vida

March 28, 2011

March 28, 2011

March 28, 2011

Just found Jordan Martin

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[http://jordanmartin.bandcamp.com/]

March 26, 2011

nomedoblog

March 24, 2011

March 24, 2011

O Senhor Kraus é que tem razão (3)

– A ideia é a seguinte, senhor Chefe. Fazemos duas pontes, uma ao lado da outra. Cada uma delas só terá um sentido. Numa ponte os carros vão para lá, na outra os carros vêm para cá. Que lhe parece? Lado a lado, com distância entre elas de menos de cinquenta metros. Dá para dizer adeus de uma para outra. Seriam como duas pontes irmãs. Duas pontes inéditas na Europa!
E mesmo no mundo.
No mundo!
O Chefe abanou a cabeça e apostou num longo silêncio. Depois com voz grave, disse:
– Ainda antes das soluções engenhosas deve estar a preocupação com o dinheiro que se gasta. Porque o dinheiro não é nosso, é da população-
– Muito bem, chefe.
– Bonito.
– Sendo assim, em vez de duas pontes proponho que se faça apenas uma, com os dois sentidos – disse o Chefe.
– Bravo! Excelente ideia, senhor Chefe.
– Impressionante.
– Passamos os gastos para metade – acrescentou.
– Pelas minhas contas, assim de cabeça, exactamente cinquenta por cento – concordou o Auxiliar.
– Bravo, senhor Chefe!
– Agora é o momento de anunciarmos que começamos a reduzir os gastos deste empreendimento para metade. Para que a população veja como zelamos pelo dinheiro comum.
– Muito bem.
– Só tenho pena – disse o Chefe – de que os meus excelentes Auxiliares não tenham proposto de inicio três pontes em vez de duas. Se tivesse sido assim hoje poderiamos anunciar a redução dos gastos para um terço.
– Tem razão, senhor Chefe.
– Falhámos! – murmurou o Auxiliar, baixando os olhos envergonhado.

[Senhor Kraus, Gonçalo M. Tavares]

March 24, 2011

O Senhor Kraus é que tem razão (2)

O Chefe gostava de mudança porque não gostava de estar parado. E não gostava de estar parado porque gostava da mudança. Eram estas as suas ideias sobre o assunto. O Chefe tinha outras ideias, mas sobre outras questões. Sobre estar parado e movimentar-se eras estas as suas ideias.
Duas.
Tentava alternar. Por vezes orgulhava-se de uma delas, outras vezes da outra. O Chefe dizia:
– Chama-se a isto propriedade comutativa da linguagem. Tal como dois mais três é igual a três mais dois, não gostar de estar parado é igual a gostar de movimento. E mais: gostar do movimento é igual a não gostar de estar parado. Não sei se me entenderam ?
Os dois auxiliares tinham entendido.
– Portanto – disse o Chefe, apontanto para um deles -, você!
– Eu ?!
– Sim, você!
– Que fiz eu?
– Nada. É esse o problema. Precisamos de fazer coisas. Não podemos estar parados. Já vos expliquei a questão da propriedade comutativa?
– Já, Chefe. Gostámos muito! Dá cinco; três, mais dois, dá cinco.
– Pelos vistos não percebeu. Não importa o resultado. O que importa é o movimento. Entende ?
Os dois auxiliares do Chefe entenderam. Pela segunda vez.
– Pois bem. Os dois, agora, mantendo-se sentados, vão bater com os pés no chão, muitas vezes, até eu mandar parar. Não param até às eleições!
– Que bela ideia, Chefe.

[Senhor Kraus, Gonçalo M. Tavares]